quinta-feira, 6 de maio de 2010

"A Feliz Idade" | Imaginarius 2010

27, 28 e 29 de Maio
Claustro do Convento dos Lóios
[lotação limitada]
Projecto de Teatro Comunitário
É uma reflexão sobre a condição de envelhecer numa sociedade que não reconhece o valor das memórias como fundamentais para o futuro e considera a velhice um “problema” para resolver. O projecto de teatro comunitário “A Feliz Idade” está a ser desenvolvido com a comunidade de Santa Maria da Feira desde Fevereiro, no âmbito da 10ª edição do Imaginarius.

“A Feliz Idade” é o nome de um lar de terceira idade fictício, que esconde a condição de envelhecer numa sociedade que não reconhece o valor de quem já não serve no ciclo produtivo e onde as memórias já não são consideradas fundamentais para o futuro, tornando-se uma forma lenta de suicídio.

Artistas não profissionais

São essencialmente artistas não profissionais, pertencentes à comunidade feirense, que protagonizam este espectáculo que terá como palco os claustros do Museu Convento dos Lóios. Do elenco fazem parte seniores dos 60 aos 87 anos, mulheres de diferentes idades, famílias oriundas de bairros sociais, crianças e jovens de escolas do Concelho e alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Santa Maria da Feira. Pessoas com diferentes percursos de vida que têm partilhado histórias, memórias, músicas, trajes e danças, criando uma ponte entre gerações que no seu quotidiano não contactam entre si.

“Mergulhámos nas memórias dos participantes para procurar o sentido profundo desta faculdade misteriosa do ser humano e encontrámos nas histórias deles imagens comovedoras e fortes, canções belíssimas e conhecimentos surpreendentes”, explica a encenadora, Anna Stigsgaard.

“O cruzar de todos estes elementos tece um espectáculo que ganha vida exactamente porque as pessoas e processos convergem e se entrelaçam no tempo e no espaço – neste caso, a arquitectura de um edifício que é um museu, que tem uma relação estreita com as memórias”, acrescenta a encenadora.

A “Feliz Idade” é também o nome de um lar de terceira idade fictício que faz parte do livro “A máquina de fazer espanhóis”, de Valter Hugo Mãe, que serviu de inspiração a uma parte deste espectáculo. A obra inspira-se em nomes de lares reais que com o seu “perfume” escondem uma realidade difícil de aceitar, que coloca as pessoas em lugares que as isolam da vida e as enchem de solidão.

Mas “A Feliz Idade” é também alegria e felicidade. O espectáculo termina com uma grande festa, da qual o público é parte integrante, que recria o encanto vivido e sonhado pelos idosos no tempo em que também eles foram crianças e jovens. Espectadores e actores vão partilhar o mesmo espaço, comer, beber e dançar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Voluntariado Imaginarius 2010

Estão abertas as inscrições para voluntariado da 10ª edição do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira. Os interessados poderão enviar um e-mail para "andrea@feiraviva.com" com a seguinte informação:

Nome Completo:
Morada Completa:
Telemóvel:
N.º Bilhete de Identidade:
Data de Nascimento:
N.º de Contribuinte:
Tem carta de condução e viatura própria?

Deve ainda especificar a disponibilidade, de 24 a 31 de Maio, nos perídos da manhã, tarde e noite.

FITEI 2010 - Destaques de Rua

4 Junho Rua de Santa Catarina
5 e 6 Junho "Serralves em Festa"
Cal y Canto Teatro
A-Ta-Ka!

Espectáculo itinerante que vai encher o céu de estranhas e fantásticas criaturas, guiadas por personagens não menos singulares. Apreciados pela sua estética inovadora, este colectivo de artistas espanhóis baseia-se nos universos mágicos do surrealismo e tem o firmamento como cenário preferido. «A-TA-KA!» é a contribuição deste ano do FITEI para o grande evento «Serralves em Festa», com o qual o festival tem sempre parceria.

10 Junho Matosinhos
Alkimia 130
Amanay


Poema sonoro à volta da água e do ser humano. «Amanay» (palavra da língua aborígene guanche, Ilhas Canárias) refere-se à água da vida que une duas células para criar um ser vivo. Metaforicamente, nesta proposta, um ser humano seco retorna ao líquido amniótico e volta a nascer. Quando abre os olhos, encontra um mundo de poças engarrafadas com pequenos barcos, piratas de televisão, entre outras bizarrias.
Programa completo em www.fitei.com

terça-feira, 4 de maio de 2010

Esclarecimento

Há três anos e meio que o Rua D'Emoções existe, como espaço online de divulgação das artes de rua em Portugal. É verdade que com especial enfoque em Santa Maria da Feira e forte acompanhamento do Imaginarius. É fantástico ver o reconhecimento do trabalho efectuado, mas por vezes importa fazer distinções. O Rua D'Emoções não é o site oficial do Imaginarius, nem nenhum outro meio de comunicação da organização do festival.
A edição deste mês da revista Time Out Porto dá destaque ao Imaginarius, com algumas informações deste blog, remetendo os seus leitores para consulta do programa neste espaço. Importa deixar um obrigado pelo reconhecimento, no entanto devo encaminhar todos os interessados para o site oficial do Imaginarius, onde brevemente será disponibilizada toda a informação sobre a 10ª edição do Festival. Certamente que cá darei conta de tudo, mas a fonte primária estará, sem dúvida, na organização.

domingo, 2 de maio de 2010

Maio é Mês IMAGINARIUS

Já estamos em MAIO... já estamos em contagem decrescente... aproxima-se o IMAGINARIUS. O Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira está de volta com um vasto leque de produções. Até ao momento o Rua D'Emoções já compilou um vasto conjunto de informação relativa ao programa desta edição...


Projectos Imaginarius com a Comunidade Local:
- Projecto "Baralha"
- Projecto "Entrado" (26 a 28 Maio no Estabelecimento Prisional do Porto)
- Projecto "Carrossel de Memórias"
- Clara Andermatt - Remake "Dan Dau"
- Instável Orquestra

Companhias Internacionais em destaque:
- Cie. Off - "Les Roues des Couleurs" (29 Maio)
- Cie. des Quidams - "Rêve d’Herbert" (28 e 29 Maio)
- Leo Bassi (27 a 29 Maio)

Produção Local:
- All About Dance - "Asilum" (27 a 29 Maio) ESTREIA
- Persona ft. Artane - "White Box" (27 a 29 Maio) ESTREIA

Companhias Nacionais em destaque:
- P.I.A. - "Humanum Fatum" (27 e 28 Maio)
- Teatro de Marionetas do Porto - "Make Love not War" (27 a 29 Maio) ESTREIA

MAIS Imaginarius... programa paralelo dedicado a novos projectos e às ditas companhias de passagem.

Começa a compor-se o figurino... venha a apresentação... completem-se os destaques... it's the final countdown... de 27 a 29 de Maio, Santa Maria da Feira volta a transfomar-se num PALCO GIGANTE!

"Do Do Land" regressa a Portugal

O espectáculo dos "Puja!" que marcou a grande noite Imaginarius do ano passado regressa este Verão a Portugal. De acordo com o site da companhia, "Do Do Land" marcará o programa do "Cenas na Rua 2010" durante o mês de Julho, em Tavira.

Rêve d’Herbert no Rock in Rio 2010?

Após a confirmação no Imaginarius 2010, la Cie. des Quidams avança a informação da possibilidade da apresentação do seu espectáculo Rêve d’Herbert na Cidade do Rock. Mais pormenores nas próximas semanas. Uma coisa é certa... a companhia dá como confirmadas as apresentações de 28 e 29 de Maio, em Santa Maria da Feira.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Compagnie Off | Imaginarius 2010

"LES ROUES DE COULEURS" apresenta-se a 29 de Maio em Santa Maria da Feira.
Após um período de alguma incerteza, aí está a confirmação... a companhia francesa Cie. Off regressa a Santa Maria da Feira. Três anos depois das Girafas, chegam as rodas gigantes, as ruas coloridas e os homens de barro... um conceito para conhecer nos últimos momentos do Imaginarius 2010.

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Entrado" | Imaginarius 2010

26, 27 e 28 de Maio
21h
Estabelecimento Prisional do Porto (Custóias)
integrado no Imaginarius 2010

Entrada: gratuita / sujeita a reserva
Duração do espectáculo: 120’
Classificação: maiores de 16 anos
Lotação: limitada


Trinta reclusos do Estabelecimento Prisional do Porto (EPP) dão corpo a um espectáculo integrado na décima edição do Imaginarius. “Entrado” propõe ao público uma viagem pelos espaços, sensações e obstáculos de um contexto prisional.

Na gíria prisional, “Entrado” é o indivíduo que acaba de entrar na prisão. Pelas palavras dos actores, é “o acabado de chegar”, “o que não se pode esticar naquilo que diz”, “o que está sempre à espera”, “o que tem que marcar território”.

Espelho das vontades dos reclusos, “Entrado” propõe ao público um percurso por alguns dos espaços da prisão de Custóias, revelando sensações, obstáculos, experiências e percepções sobre a vivência de um contexto prisional. O espectáculo reporta-se à vida dos reclusos antes de entrarem na prisão, ao momento em que entram, às passagens pela prisão e à saída, real ou imaginada. “Entrado” propõe seguir estes trajectos, tocando nas dimensões da culpa e do perdão como incontornáveis na vida.

“Entrado” invade dois mundos, dois lados, dois territórios impossíveis de colocar em diálogo. A escolha faz-se apenas por um. O bem e o mal, o preto e o branco, o dentro e o fora, conjugados e vividos por um “Entrado” – que entrou, que deu entrada, adjectivo de transmissão e passagem, com acesso ao melhor e ao pior do território de cada um.

Hugo Cruz, da associação PELE – Espaço de Contacto Social e Cultural, explica que “este espectáculo é o resultado de uma catarse colectiva sobre o erro e o seu perdão, a fragilidade do ser humano e a inevitabilidade de o pecado estar ao alcance de qualquer um, em qualquer tempo e espaço”. “No caminho sente-se o esforço, a carga, a regeneração, a mudança pautada por silêncios e colada à miragem de liberdade”, refere o encenador.

“Entrado” é um espectáculo com uma forte componente musical, destacando-se a participação da banda de rock do EPP “The Other Face” e a colaboração do Serviço Educativo da Casa da Música, com o coro “Ala dos Afinados”, desenvolvido no estabelecimento prisional.

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Reservas “Entrado”

“Entrado” é um espectáculo com lotação limitada e sujeito a inscrição prévia. As reservas terão se ser feitas até 20 de Maio, através do e-mail reservasentrado@gmail.com ou telemóvel 91 726 00 65.

Dados obrigatórios para reserva:
- Nome completo;
- Idade;
- Número de Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão;
- Contacto telefónico;
- Endereço electrónico;
- Especificar se pretende transporte de autocarro desde Santa Maria da Feira até Custóias [20h00, parque junto aos Bombeiros Voluntários].

Nota: a confirmação da reserva será feita pela mesma via da inscrição [e-mail ou telemóvel].

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Normas de acesso ao EPP

- Apresentação obrigatória do Bilhete de Identidade / Cartão de Cidadão no dia do espectáculo;
- Não é permitida a entrada de telemóveis, gravadores, máquinas fotográficas e de filmar;
- Para celeridade da revista, trazer os objectos estritamente necessários e evitar a utilização de objectos metálicos;
- É proibido fumar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Entrado" - Projecto Imaginarius 2010

Trinta reclusos do Estabelecimento Prisional do Porto (EPP) vão dar corpo a "Entrado", uma peça integrada na décima edição do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira", anunciou hoje fonte do município.

Hugo Cruz, da associação PELE - Espaço de Contacto Social e Cultural, explicou à Agência Lusa que "Entrado" é o resultado de uma catarse coletiva sobre o erro e o seu perdão, a fragilidade do ser humano e a inevitabilidade de o pecado estar ao alcance de qualquer um, em qualquer tempo e espaço".

"No caminho sente-se o esforço, a carga, a regeneração, a mudança pautada por silêncios e colada à miragem de liberdade", acrescentou o encenador.

@ Diário de Notícias

domingo, 25 de abril de 2010

Cirque du Soleil ou Circo del Sol

Como sempre... sem palavras!
Ontem foi dia "Saltimbanco"! Fiz-me à estrada rumo a Santiago de Compostela. A programação do Xacobeo 2010 ofereceu aos "atentos" a oportunidade de assitirem a uma das maravilhas dos canadianos Cirque du Soleil.

Apesar do rudimentar sistema de ticketing lá consegui uns fantásticos lugares (relação qualidade-preço) e sem qualquer taxa de venda ou envio... tal seria impossível em Portugal!
Chegado a Santiago o que vejo? Uma mega operação de segurança e coordenação de trânsito, para um espectáculo com apenas 5000 espectadores. A cidade completamente reestruturada com alterações significativas na ordenação do tráfego e um sistema extra de transportes urbanos. À parte da fantástica logística, o que encontrei mais? Algo que seria pouco provável em Portugal! Um grande pavilhão, com um sentido estético minimalista em tudo! Começando pelo estacionamento... em tempo de crise não há betão... se não há capacidade para mais haja terra batida. Já no interior... espaço a abundar, bancadas para 5000 pessoas e mais uma vez tudo ao mínimo... um exemplo: não há portas para isolar a luz da sala... cortinas servem perfeitamente. Acho que os portugueses devem aprender algo com isto!!! E o mais importante... estruturas técnicas... fabuloso! Em todo o perímetro o pavilhão está munido de estruturas fixas de suporte para todo o tipo de espectáculos, algo que desconheço em Portugal, onde tal estrutura é instalada para cada situação. Conclusão, aprenda-se algo, criem-se as condições a baixos custos... vamos trazer os grandes espectáculos ao norte de Portugal!

E agora o que interessa... o espectáculo. Como já o disse, sem palavras. Foi apenas o meu segundo contacto com "maior" companhia do Mundo e mais uma vez saí maravilhado. Não consigo dizer que tenha gostado mais de "Saltimbanco", mas também não o posso afirmar de "Varekai". Dois projectos diferentes, com conceitos diferenciadores e dinâmicas distintas... unidos pelo cerne: o circo, a música e a "magia da cor"!
Com cerca de 2 horas de duração a que acresce o momento de abertura e o habitual intervalo de 20 minutos... contas feitas, passa-se 3 horas no Pavilhão sem se dar conta! E atenção... neste espectáculo mais do que em outros o público está muito activo... e desengane-se quem não está nas primeiras filas, nem assim estará a salvo!

Não vou escrever mais, deixo apenas o repto é favor entrar nesta maravilha... lá para Outubro "Saltimbanco" estará em Lisboa e será tempo dos portugueses aproveitarem. Quanto a mim resta-me esperar por novo espectáculo na península ibérica... venha o "OVO"!!!

sábado, 17 de abril de 2010

Persona | Imaginarius 2010

White Box é como se apresenta a produção original da companhia feirense "Persona" para o Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira. O projecto terá apresentações nos três dias do festival (27, 28 e 29 de Maio).

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Leo Bassi | Imaginarius 2010


Leo Bassi está de regresso ao Imaginarius. Na sua terceira passagem por Santa Maria da Feira carrega consigo "Utopía". Segundo o site do comediante o espectáulo será apresentado nos 3 dias do festival.

"A principios de 2009, cuando estrené UTOPIA, el Dow Jones había caído a 6500 puntos y el sistema Neoliberal se estaba hundiendo vistosamente. Saltándose todos los dogmas del libre mercado y de las teorías de Adam Smith, Barack Obama, el primer presidente afroamericano, se lanzaba a salvar empresas y bancas privadas con dinero público, nacionalizando hasta la General Motors en su afán de evitar el desastre económico."

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PIA | Imaginarius 2010


"Humanum Fatum" é o projecto que a Companhia PIA trará a Santa Maria da Feira no âmbito do Imaginarius 2010. A companhia avança os dias 27 e 28 de Maio como datas de apresentação do espectáculo.

"Uma viagem por entre memórias de uma terra, que encontra a sua identidade com a chegada da máquina a vapor...
Lugar onde os homens outrora puxavam costumes e tradições, amassavam o corpo e pisavam o sangue que a terra lhes oferecia.
Agora é o mastigar dos mecanismos da máquina de produção, que marcam o tempo, rumo a um futuro ignoto… Remeter a Máquina ao Homem ou degradar o Homem à Máquina?"

Os Criadores de Inutensílios
No século XIX 4 inventores, preocupados em convencer as pessoas da utilidade das suas máquinas, descobrem as vantagens da solidariedade e os riscos duma sociedade essencialmente baseada no progresso técnico.
Saberão eles lidar com as implicações do maquinismo e encontrar uma alternativa a este novo problema que pretendia ser uma solução?
Além de revelar a necessidade engenhosa do Homem de inventar soluções para problemas inexistentes, “Humanum Fatum” pretende homenagear todos os portadores de uma imaginação criadora, mesmo aqueles que nada inventaram, mas que as suas persistentes tentativas, dedicação e mesmo teimosia, tornaram-se uma fonte de inspiração para muitos outros....

domingo, 4 de abril de 2010

Saltimbanco em Lisboa

Depois de Delirium, Quidam e Varekai, os Cirque du Soleil regressam a Portugal, desta feita com Saltimbanco. Ainda sem datas, poderá já apontar-se a visita para meados de Outubro de 2010... infelizmente a minha previsão concretiza-se: uma vez mais o resto do país não existe. O mesmo espectáculo passará por 6 cidades espanholas ao longo dos próximos 6 meses, mas em Portugal apenas Lisboa aparece na rota... parece vou mesmo ser espanhol por um dia. Dia 24 de Abril rumarei a Santiago de Compostela... quem lucra? Em primeiro eu, que fazendo a mesma distância pago menos pelo bilhete, a partir daqui ganham os espanhóis em tudo... mas se assim tem que ser rumemos a Espanha!

sábado, 3 de abril de 2010

Cie. des Quidams | Imaginarius 2010

Desta vez está confirmado! A Cie. des Quidams estará presente na edição 2010 do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua. A companhia avança os dias 28 e 29 de Maio para apresentações de Reve d'Herbert.

terça-feira, 23 de março de 2010

MAIS Imaginarius 2010 [Candidaturas]

Pelo segundo ano consecutivo, o Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira lança o desafio à comunidade artística nacional e internacional para apresentar trabalhos de intervenção no espaço público. O ‘Mais Imaginarius’ contempla a participação de vários criadores e formas artísticas no Festival, desde teatro, dança, música, circo, artes plásticas e performativas. As inscrições estão abertas até 22 de Abril.

Consulte o regulamento de participação e preencha a ficha de inscrição:

» Regulamento
» Inscrição Online
» Download Ficha Inscrição

quinta-feira, 18 de março de 2010

Titanick - UNTER STROM (ELECTRIFIED) em Portugal

Surgem os primeiros dados da tour 2010 dos Titanick, e mais uma vez Portugal está na rota. Este ano a companhia alemã actua 3 dias consecutivos na capital e outras tantas noites na invicta. São escassas as informações, mas as datas são já públicas no site da companhia. Continuam as dúvidas relativas à estreia mundial do novo espectáculo QU, que estava prevista para o final de Maio no Imaginarius.
24 a 26 Junho - Lisboa
1 a 3 Julho Porto

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Imaginarius 2010 - Produções Originais

A cerca de 3 meses da 10ª edição do Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira continuam a surgir novidades... ora, são já 3 as produções para o festival com participação da comunidade local.
A coreógrafa Clara Andermatt está a remontar o seu espectáculo Dan Dau, de 1999.

Também Clara Andermatt, já coordenou, este ano, um workshop de dança com a comunidade de ciganos da Baralha, na freguesia de Sanguedo, um projecto coordenado pelo realizador Marco Martins e que pretende recriar Romeu e Julieta num espectáculo que será apresentado no próximo Imaginarius. A actriz Beatriz Batarda e o realizador João Salavisa também estão envolvidos nesta produção.

A Instável Orquestra está a ultimar uma história criada por cerca de 150 pessoas, que será lida em voz alta por três contadores de histórias, um português, um cabo-verdiano e um brasileiro.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

"Saltimbanco" em Espanha

Há algumas semanas que a visita dos canadianos Cirque du Soleil a Espanha era certa, faltavam pormenores... surge agora a pré-venda. Os bilhetes para a mini tour em terras espanholas (Santiago e San Sebastian) já estão disponíveis online para membros do Club Cirque.

Valencia
14 a 18 Abril

Santiago de Compostela
21 a 25 Abril (ESGOTADO)

San Sebastian
28 Abril a 2 Maio


Actualizado a 21 FEV 2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

"MAKE LOVE NOT WAR" Estreia no Imaginarius 2010

A estreia da nova produção do Teatro de Marionetas do Porto está marcada. Dia 27 de Maio 2010, primeiro dia da 10ª edição do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira, "MAKE LOVE NOT WAR" mostra-se pela primeira vez.
Trata-se de uma co-produção com o CCTAR a partir de "Lisístrata", de Aristófanes.

Encenação e cenografia:
João Paulo Seara Cardoso

Marionetas e Figurinos:
Júlio Vanzeler

Música:
Jonathan Saldanha

Movimento:
Isabel Barros

Interpretação:
elenco do Teatro de Marionetas do Porto + actores convidados + alunos do 3º ano de interpretação do Curso de Teatro do Balleteatro Escola Profissional

Projecto teatral:
O espectáculo inicia-se com um percurso das máquinas-marionetas e da máquina musical. Numa praça ou recinto de grandes dimensões está instalado o dispositivo cénico onde termina o percurso e tem lugar a representação. O público é móvel e organiza-se em função da deslocação das máquinas que percorrem o espaço cénico. É um espectáculo eminentemente visual que se desenvolve a partir de um texto muito condensado. A música é executada ao vivo. Há marionetas gigantes, actores sobre andas, cantores, dispositivos mecânicos, automóveis, plataformas cénicas, fogueiras, pirotecnia e outros elementos teatrais.

Sinopse:
Lisístrata é uma peça contra a guerra, uma convicta apologia da paz e da concórdia ente todos os homens. Nela se atacam os velhos que governam a nação e gastam em armas o dinheiro necessário para outros fins. As mulheres, sob a direcção de Lisístrata, revoltam-se e conseguem, unidas, pôr fim à guerra civil que opunha Atenienses e Espartanos e trazer para casa os maridos e filhos. Utilizam para isso a arma do sexo: não se deixarão possuír por homem algum enquanto não acabar a guerra e não se fizerem as pazes. Representado em 411 a.C., o texto continua hoje a ser, em muitos aspectos, ousado e actualíssimo.

Manuel João Gomes, prefácio a "Lisístrata"

domingo, 24 de janeiro de 2010

Imaginação e Imaginário | CCTAR em destaque


Versátil Implantado numa antiga pedreira, o centro apresenta uma forma fluida e orgânica espiralada. E, elevando-se do chão, liberta a rua para uma praça coberta, funcionando como concha acústica potenciada pelo revestimento de cortiça.

Para Santa Maria da Feira está prevista a construção de um Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua (CCTAR) da autoria do arquitecto Bernardo Rodrigues, que procura consolidar a importância da cidade enquanto palco de um importante Festival Internacional de Artes de Rua, o Imaginarius, mas também atrair outras áreas criativas, como a arquitectura, o design ou a fotografia. O edifício procura espelhar as ambições criativas da iniciativa e ser, ele próprio, um exemplar de imaginação, um elemento icónico da paisagem urbana da cidade e um local de referência cultural no Norte do país.

Segundo as palavras do seu director, o futuro CCTAR "intensificará a relação com o território e a comunidade iniciada pelo festival, numa prospectiva que pretende potenciar ao máximo a criatividade local. Por outro lado, ambiciona também ser um espaço aberto, além da cidade, à Região Norte, reforçando a capacidade de gerar e de estabelecer relações entre estas, proporcionando novas ideias para conteúdos de valor expressivo e comercial".

Bernardo Rodrigues intitulou o edifício de Opera Magma, e, como é frequente nas suas obras, conferiu um enorme valor cénico ao projecto, que vai de encontro aos propósitos do próprio programa de Centro de Artes Criativas. Implantado no centro da cidade, numa antiga pedreira abandonada para a qual está prevista a criação de um lago artificial, o edifício apresenta uma forma fluída e orgânica espiralada, um loop que é uma metáfora do dinamismo das actividades de rua e do palco. Por outro lado, ao elevar-se do chão, liberta a rua para a criação de uma praça coberta e o edifício funciona assim como uma concha acústica, situação enfatizada pelo revestimento a cortiça. As placas de cortiça, para além do seu excelente desempenho acústico, permitem ainda a colocação de cartazes e panfletos alusivos aos espectáculos em curso.

Finalmente esta forma espiralada, mais próxima dos reinos animal ou vegetal do que da arquitectura conhecida, projecta o edifício para um mundo etérico e de fantasia, para o imaginário, aludindo assim ao Festival imaginarius, que se realiza nesta cidade há mais de dez anos e é actualmente um dos grande atractivos da cidade.

O CCTAR tem, contudo, um programa muito preciso e definido, que permitirá a realização de espectáculos, seminários e workshops nacionais e internacionais. Com os seus 2400 metros quadrados de área bruta de construção, distribuídos por três pisos, destina-se a albergar residências de artistas - dois apartamentos e cinco camaratas de quatro camas -, salas de ensaios e ateliers de dança, música, fotografia, arquitectura, teatro, design, entre outras expressões artísticas, num total de 500 metros quadrados, um salão principal com 800 metros quadrados e uma biblioteca, com 100 metros quadrados, para além de áreas técnicas e de apoio.

Para além da do forte "imaginário" do projecto do arquitecto Bernardo Rodrigues, o CCTAR contará com importantes consultores internacionais, como a companhia catalã La Fura dels Baus, o fotógrafo italiano Oliviero Toscani, o húngaro Ernõ Rubik, inventor do cubo mágico, e Eugenio Barba, fundador da companhia dinamarquesa Odin Teatret.

@ DN Artes

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Imaginarius 2010

Confirma-se a informação que o Rua D'Emoções avançou há cerca de 2 meses em formato count-down... já há datas para a 10ª edição do Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira. De 27 a 30 de Maio de 2010 a Capital Nacional das Artes de Rua volta a transforma-se num palco gigante.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Cirque du Soleil em Santiago

Só faltam as datas, embora tudo indique que será de 21 a 25 de Abril... "Saltimbanco" estará bem perto de nós. Mais um espectáculo dos canadianos Cirque du Soleil a não perder. Bora lá para Espanha!

sábado, 21 de novembro de 2009

Clã Monteiro ensaia para o Imaginarius


Comunidade cigana da Baralha, em Santa Maria da Feira, prepara-se para interpretar Romeu e Julieta no único festival de teatro de rua do país. O realizador Marco Martins coordena o projecto artístico, a actriz Beatriz Batarda ensina a improvisar. Uma história sem princípio, meio e fim, mas com final feliz.

América Garcias diz a frase num fôlego: "Sinto-me morta por dentro e agora vou para a morte." Depois do ponto final, pensa um pouco e corrige: "Não é assim. O que tenho de dizer ao Romeu é: "Sinto-me morta por dentro e para a morte vou". Assim é que é."

Cabelo longo apanhado numa trança, olhos verdes, América, de 17 anos, sorriso constante, nunca tinha ouvido falar de Romeu e Julieta. De Shakespeare, tão-pouco. "É uma história de amor que acaba mal. É uma história muito bonita, mas tenho vergonha de a fazer", confessa, sem saber explicar a razão. Nunca viu uma peça de teatro e agora aprende a ser Julieta. Como Cristiana Monteiro, de 20 anos, loura, olhos azuis, olhar tímido, filho no colo. "É preciso fazer muita coisa e acho que não tenho cabeça para isto." Prefere ser outra personagem. "Já fiz de mãe de Julieta e correu bem."

Sexta-feira, dia 13. Lava-se roupa à mão, varre-se o chão das cozinhas, as crianças brincam, há fumo a sair das chaminés das casas de chapa e de madeira - as mais coloridas pintadas de azul e cor-de-rosa - na comunidade cigana da Baralha, freguesia de Sanguedo, Santa Maria da Feira.
Justificar completamente
A actriz Beatriz Batarda prepara-se para mais uma tarde de sessões de expressão dramática, improvisação, leitura, exercícios clássicos. Ensina a 36 dos 70 elementos do clã Monteiro a arte de ser outra pessoa. "Há uma necessidade de perceberem o que estão a fazer. E temos um feedback de prazer: vão e voltam." As aulas são apenas para quem participa, não há lugar para estranhos.

Até Maio do próximo ano, o clã Monteiro concentra-se na história de Romeu e Julieta criada por Shakespeare. Aprende a arte de representar e improvisar, tenta decorar frases, abre as portas de casa e deixa-se filmar para os vídeos que farão parte de um espectáculo, interage com os criativos que chegam com missões específicas. O realizador Marco Martins coordena o processo.

Há várias Julietas e Romeus para a interpretação da peça que está a ser ajustada à realidade da comunidade da Baralha. Algumas frases do clássico da literatura, que nunca por ali tinham sido escutadas, cruzam-se com a linguagem do quotidiano, mas sem a mescla de português, espanhol e algumas palavras de romani que aqui se fala. Ao mesmo tempo, há uma máquina de filmar que se movimenta para documentar o empenho da comunidade no novo projecto e captar as histórias que são temas de conversa.

O resultado é apresentado no Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira, em Maio, nas casas habitadas pelos ciganos e espaços exteriores.

Samaritana Soares, de 22 anos, morena, olhos e cabelos escuros, argolas nas orelhas, braços constantemente cruzados, espera por mais uma aula. "Não pareço nada a Julieta. Ela é muito linda, alta, magrinha, loura e branca", comenta. A preparação para ser o amor de Romeu começou e Samaritana garante que está preparada para o papel. "Já fiz muitas coisas sobre Julieta... quando Romeu foi à festa... e tanta coisa que já não me lembro." Conhecia a obra de Shakespeare? "Quem?"

António, de 10 anos, não quer perder nada do que anda a acontecer. E conta a história quase sem respirar. "A mulher toma o remédio de dormir e depois achava que estava morta, mas a mulher acorda e olha para baixo e vê que o homem estava morto também, pega numa faca e pum." Esse pum é acompanhado por um gesto em direcção à barriga.

Ao início da tarde, António Monteiro, de 19 anos, dá uma ajuda na obra da única casa de pedra e cal. Não se lembra de nenhuma deixa, confessa que o tempo não é muito para estudar as frases de Romeu. "Sei que tenho de falar com a Julieta, pedi-la em casamento e fugir com ela." A experiência? "Está a ser boa, mas às vezes não dá muito jeito porque tenho de ajudar o trolha", responde com um olhar fugidio.

O projecto está no início e não se resume à interpretação da história de Shakespeare, de que ninguém da Baralha tinha ouvido falar. Na próxima edição do Imaginarius, as casas da terra são o palco para a apresentação de vídeos e curtas cenas assumidas pelas julietas e pelos romeus. De 27 a 29 de Maio de 2010, há um work in progress condensado que resulta de meses de trabalho, cumplicidades, experiências. Gonçalo Waddington, Dinarte Branco já aqui estiveram e vão voltar. Clara Andermatt, Filipa César, André Príncipe, João Salavisa, Alexandre Estrela, Tiago Rodrigues e João Pinto Custódio estão a chegar.

"Mato o Mercúrio"

É domingo e ouve-se música cigana quando se passa pelo meio das casas. A chuva não pára e altera o plano das filmagens. As nuvens afastam-se um bocadinho e passa-se para o exterior. Dois amigos convencem Romeu a ir a uma festa para esquecer Rosalina, a namorada que não lhe presta atenção. É preciso argumentar. Beatriz Batarda faz um ensaio e à segunda filmagem há parabéns. Augusto Monteiro, de 23 anos, é Romeu. Não conhecia a história, mas tem-se preparado como deve ser. "Tenho ensaiado muitas vezes. Li duas ou três vezes os textos que me deram, do livro da história." António, de 20 anos, é o padre, o frei Lourenço, e repete a frase que diz a Romeu: "Vocês amam com os olhos e não com o coração."

O ensaio corre bem. Linguagem actual, com poucas frases de Shakespeare. Filipe Monteiro, de 14 anos, é o primo de Julieta. "Mato o Mercúrio e o Romeu mata-me depois." Filipe culpa a chuva pelos pormenores que não correram tão bem. O céu não dá tréguas e a equipa começa a mudar o equipamento para o interior de uma das casas. A chuva continua a cair sem pedir licença.

Patrícia tem 14 anos e é a Julieta mais nova. Prepara-se para ser filmada na cena em que diz à ama que é muito nova para se casar, depois de saber que lhe escolheram um noivo. A família assiste no sofá da casa com panelas e tachos a reluzir e cobertores dobrados e alinhados ao milímetro. Há muita cor nesse compartimento de sala, cozinha e quarto, aquecido por um fogão a lenha. Marco Martins e Beatriz Batarda dão as últimas indicações e é hora de os estranhos se retirarem. "Contaram-nos a história e aprendi o que não sabia", adianta Patrícia, antes da gravação. "Ainda estamos a aprender e está a ser um espectáculo. Mas esta história vai terminar de outra maneira, com alegrias, com paz, à nossa maneira", desvenda.

Constância é a matriarca das 17 famílias da Baralha. O marido está doente, ela trata das lides domésticas e durante os trabalhos mal se vê fora da porta. "É um teatro que estão a fazer, do Romeu e Julieta." Sabe o que se passa. Viu o filme que foi projectado em Outubro e gostou. "É uma história muito linda e triste porque o Romeu morre e a Julieta mata-se." Olhos azuis intensos, cabelos brancos amarrados numa trança, impõe respeito. "Não tenho tempo para participar, isso é para as mais novas", comenta. "Andam todos animados e podem andar à vontade porque é tudo para nosso bem", diz, 63 anos no bilhete de identidade e 68 no corpo.

O projecto é uma produção do Centro de Assistência Social à Terceira Idade e Infância de Sanguedo (CASTIIS) e do Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua (CCTAR), responsável pela direcção artística do Imaginarius. "Não estamos a montar a peça Romeu e Julieta", avisa Marco Martins. Há um trabalho pedagógico que envolve expressão dramática, dança, vídeo e música. Preparam-se momentos performativos, filmam-se vídeos de partes da história, conversas com os moradores, as histórias dos jovens casais que se apaixonaram e fugiram até as famílias irem buscá-los, como manda a tradição cigana. "Será um espectáculo muito fragmentado, em que se cruzam vídeos documentais com momentos performativos." Como uma instalação, onde não há princípio, meio e fim. "O lado social sobrepõe-se sempre ao próprio espectáculo."

"Adorei o nome Baralha: define bem este sítio." Antes de dizer sim, o realizador conheceu a comunidade, viu vários locais para a apresentação da peça e concluiu que o melhor era não sair daqui. Os artistas que participam podem entrar ou não na peça. Fica ao critério de cada um. Beatriz Batarda poderá fazer um monólogo sobre a sua experiência na Baralha.

É a primeira vez que a actriz trabalha com uma comunidade cigana. "É uma vivência que me é nova, que me desperta muita curiosidade", admite. No terreno, é como gerir "qualquer outra circunstância pedagógica". Beatriz Batarda chegou há três dias e distribui beijos às jovens, carinhos aos mais pequenos, apertos de mãos aos homens. Chama pelos nomes, vai à procura de alguém para uma cena, bate às portas das casas. Já contou a história para que os "actores" se apropriem das características e consigam improvisar. "Há uma enorme curiosidade e dificuldades de timidez que passam pela vergonha. Mas é uma história com que se relacionam com bastante facilidade."

O teatro aparece na Baralha como uma introspecção. "O teatro como instrumento de conhecimento de si próprios e dos outros", explica Renzo Barsotti, do CCTAR. "Há a preocupação que o projecto sirva as duas comunidades: a comunidade cigana e a nossa e que não seja uma coisa demasiado folclorística." Uma aproximação pelo lado artístico. "É importante que este projecto também sirva aos criativos como uma matéria de trabalho, de investigação da cultura cigana."
Cenários de sucata

A comunidade cigana fixou-se na Baralha há mais de 10 anos. Desde então é acompanhada pelo CASTIIS, que há quase quatro anos tem no terreno o Desalojar a Exclusão. Um projecto de integração dos mais pequenos na escola, com vários workshops à mistura, onde nasceu a curta-metragem de animação Carro Preto, Carro Branco, que conquistou uma menção honrosa no Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho do ano passado. Os cenários foram feitos com restos de lixo de sucata.

Foi criada uma cooperativa de habitação, instalado um prefabricado com balneários, que serve de espaço para as oficinas e, neste momento, para as aulas de interpretação, reuniões, ensaios e filmagens. Os ciganos da Baralha estão integrados. Vivem da recolha e venda de sucata e do negócio de cavalos. As crianças vão à escola. E o novo projecto não foge do trabalho feito até aqui. "Pretendemos desenvolver uma dinâmica cultural que envolva toda a comunidade", diz Nuno Oliveira, sociólogo do CASTIIS. Pensou-se "na ideia do casamento maldito" e no clássico da literatura que melhor se adaptasse a uma realidade próxima da comunidade. "E tem sido extremamente positivo".

@ Ípsilon

domingo, 26 de julho de 2009

O Sonho de Afonso | Titanick

Guimarães estava ao rubro, numa prova que afinal faltam raízes e informação sobre artes de rua em Portugal. Frases como "espectáculo como este nunca se viu em Portugal!", "se não estiver cá a televisão vou fazer um escândalo" e "os alemães estudaram com rigor a nossa história" foram algumas das muitas que se ouviram num mar de equívocos vimaranenses.


Começando pelo princípio... estavamos em Guimarães, 25 de Julho de 2009, com dois motivos: encerramento das comemorações dos 900 Anos de D. Afonso Henriques e lançamento de Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura. A Câmara vimaranense teve visão para fazer algo decente e claro olhou para o Imaginarius/CCTAR.

Ao longo dos últimos 5 meses o Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua de Santa Maria da Feira e a companhia Titanick desenvolveram um espectáculo especial para as ruas de Guimarães que refletiu a vida do primeiro rei de Portugal. 30 actores e 30 voluntários deram vida ao que em Guimarães se anunciava como algo inovador em Portugal... mas porque será que sempre que há espectáculos fora de Santa Maria da Feira ouço a mesma coisa: nunca se viu em Portugal. Será que afinal não sou português e não sei de nada!?
É verdade que tivemos uma grande noite... tanto a companhia como os voluntários estão de parabéns... e também a "falsa" mensagem da novidade absoluta que levou largos milhares às ruas. MAS NO FINAL, pelo menos a mim que estou habituado a outras andanças, SOUBE A POUCO!

Afonso's Dream não passou de um mix de Sarabande (original para o Imaginarius 2008) e World of Pinochio (original para o Imaginarius 2009). Se não houvesse a audácia de acrescentar dois ou três elementos cenográficos novos arriscaria mesmo dizer que estava a ver a mesma coisa, apenas se mudavam os nomes dos personagens... até porque a indumentária em pouco se altera.



Quanto ao espectáculo... tudo começa com a mesma parada de Sarabande, ao jeito do acordar de Pinóquio... "Afonso"... assim se chama pelo pequeno Afonso. Os cavalos e seus cavaleiros loucos desta vez deixam a água e o fogo para outras mãos e apenas seguem na pouco original parada. Uns quantos toques de originalidade monótona marcam a primeira etapa que consegue mesmo invadir o Tribunal de Guimarães... com Afonso fugido entre o arvoredo dos Paço dos Duques aingimos o fim da cena. Seguia-se a mesma parada no centro histórico... algo a que decidi fugir dadas as características do terreno, pouco apto a multidões.

Depois da passagem pela estreitas ruas... a típica parada Titanick atinge o centro da acção, onde milhares esperavam por um grande espectáculo.



Os primeiros 5 minutos ainda trazem novidades... a Guerra e as Conquistas tomam conta da acção até que D. Teresa já presa numa jaula (igual às do Sítio dos Tormentos da Viagem Medieval) assiste ao culminar do "grande" especáculo. E que final decepcionante... já contava com a guerra entre o fogo e a água... e pelo que anunciava a Câmara de Guimarães, muito mais água do que é hábito, pois bem... em termos de encenação pude assistir exactamente ao Banquete do Pinóquio, onde foram utilizados exactamente os mesmos elementos cénicos, a mesma encenação e até a garrafa gigante, que já sem o Castelo da Feira exibia agora a bandeira do reino à época.

Entravam os jogos de água... e de novidade também nada... mais uma vez pude assistir ao mesmo jogo de Sarabande e Pinóquio, e nem o volume de água terá sido superior. O toque final é, como sempre, o apogeu pirotécnico, também muito abaixo do que os Titanick são capazes de fazer. De lembrar os mega espectáculos pirotécnicos finais de Sarabande e da última exibição de Pinóquio no Imaginarius deste ano, já para não recuar ainda mais... mas posso fazê-lo: Firebirds no encerramento do Imaginarius 2002, para quem se recorda.



Resumo da noite: valeu a pena para rever Titanick, embora apenas se passem 2 meses desde o último encontro, mas a novidade grandiosa não existiu, tivemos sim mais do mesmo, com dois ou três toques especiais, adaptando ao contexto pretendido... como o final: o barco "Portugal" na grua, que afinal em tudo faz lembrar o cavalo alado e a charrete de Sarabande.



domingo, 19 de julho de 2009

O Sonho de Afonso

Os alemães Titanick regressam Sábado a Portugal. Após a apresentação do original "O Mundo de Pinóquio" no Imaginarius 2009, a célebre companhia apresenta-se em Guimarães, sob a chancela do Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua de Santa Maria da Feira.
O espectáculo "O Sonho de Afonso" encerra as comemorações dos 900 anos do primeiro rei de Portugal e decorre no próximo Sábado, dia 25 de Julho, pelas 22h, em várias artérias do centro histórico da cidade minhota.
Fica o contexto de cada um dos actos para abrir o apetite para mais um grande projecto de teatro de rua.

Encenação
Esta primeira etapa concentra-se num sonho do jovem Afonso. Neste sonho ele imagina a libertação do seu país da predominância de Castela e a criação de uma nova identidade do seu país. O ponto de partida é uma imagem feliz: o jovem Afonso Henriques está ainda associado à sua mãe, Teresa de Leão. Mas em breve ela vira as costas ao seu filho, optando pelo seu amante, Fernando Peres de Trava da Galiza. Nós vemos o percurso de Afonso a partir do momento em que ele começa a libertar-se da dominação da sua mãe. A sua visão de um país independente nasceu.

A Juventude (Praça do Tribunal)
Impaciente, o povo espera o jovem Afonso e sua mãe Teresa. Eles procuram em toda a Praça do Tribunal, até ao momento glorioso em que filho e mãe chegam: Teresa de Leão aparece, uma mulher magnífica e potente (uma estrutura sobredimensionada de quatro metros de altura), toda vestida de branco.
Sobre os seus joelhos está sentado o jovem homem. A regente dá o sinal e uma parada festiva e gloriosa começa nas ruas de Guimarães.

Alegria de vida (Rua Alberto Sampaio)
Teresa de Leão e Afonso conduzem esta parada festiva, acompanhados por membros do povo em cavalos brancos. A festa nas ruas de Guimarães é acompanhada pela música de uma fanfarra. Os espectadores participam na festa.

A ruptura (Praça da República do Brasil)
Mas a atmosfera muda e a dissonância entre filho e mãe estabelece-se. Chegados à Praça da República do Brasil, Afonso e a mãe afastam-se até ao odeio eterno. Afonso ordena o seu povo a tornarem-se soldados. Com vestes azuis, que caem do céu, eles acolhem a sua nova identidade de soldados.

A guerra (Praça da República do Brasil)
Os soldados entram na guerra para lutarem sob as ordens de Afonso contra as tropas de Teresa de Leão. Vestidos de azul, caminham, caem, levantam-se e recomeçam a marchar, simbolizando assim o soldado eterno – até ao trovão final que os deixa morrer. Uma mortalha é lançada sobre os cadáveres, e Afonso aprisiona a sua mãe numa jaula que desaparece no céu.

O sonho (Praça da República do Brasil)
Afonso Henriques remove a mortalha dos mortos e começa a sonhar: árvores cobertas de tecidos iluminados de diferentes cores, enquadram a cena. Os mortos erguem-se do campo de batalha como a Fénix das cinzas. Afonso imagina um país independente e livre, com a sua própria identidade: Portugal. As personagens principais da sua vida – o barão, o seu educador e outras pessoas – preparam uma festa que decorre a uma mesa gigantesca. O povo celebra o nascimento de Portugal com uma coreografia aquática. O rei Afonso, sentado num trono, observa o cenário. A toalha transforma-se numa vela que empola.
Levado pelo vento, Afonso voa no céu, no seu trono, acompanhado pelos dois cavalos brancos. O seu sonho continua...