Como havia prometido, não pedira faltar, pelo menos ao
último capítulo da saga de repetições originais, pontuadas de figuração
comunitária, com que La Fura dels Baus e o CCTAR nos brindaram em Guimarães. Não
poderia continuar a escrever sem ver ao vivo, o que pelas imagens já se me era
dado a adivinhar… e arrisco falar em flop do Toural.
Um mega aparato para meia hora de “mais do mesmo” com pouco
ritmo e nenhuma intensidade dramática. La Fura usaram os mesmos bonecos de
sempre, um deles que já viera do Naumon [2004], mas desta vez quase estáticos,
senão mortos… o coração de tochas ninguém o viu, perdão, apenas a grua da
televisão o conseguiu ver.
A linguagem furera esteve por lá… tímida e complexada, no
meio de um Largo fluído, ao contrário do que seria de esperar.
Mostram-nos um videomapping… videomapping!? Um simples vídeo
com um ligeiro mapeamento, diria eu. Mas deixo essa parte para os especialistas…
há coisas que se pagam bem para valerem a pena!
Uso abusivo do céu, com elementos já de nós conhecidos… um
poema que já não marca: há 12 anos já o ouvi associado à inauguração da
Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, tendo sido perpetuado até hoje
nesse alinhamento.
Não irei escrever muito mais… fica apenas o registo de uma “xarxa”
(a rede humana) mais curta e estática do que o habitual. Mas afinal de contas
já será a sua QUARTA vez em Portugal: 2005 – Imaginarius – Santa Maria da
Feira; 2008 – NAUMON – Lagos; 2011 – Agitágueda – Águeda; 2012 – Guimarães. Opps…
No final reinou o silêncio na praça… aplausos artificias e
muitas dúvidas, numa altura em que eu tinha certeza: acabou! Foi preciso um
speaker cinco minutos depois do espectáculo informar que tudo havia acabado
para que a saga de assobios tivesse início… e assim terminou a Capital Europeia
da Cultura.
Oxalá Marselha dê mais vida às artes de rua… tal como
promete!
NOTA: O mesmo não poderei dizer restante programação, enquadramento e espírito vivido e sentido na cidade. Mas no que às Artes de Rua diz respeito, apesar do impacto e do aparato, estivemos francamente MAL representados.
O espectáculo ‘Trio’, do FIAR – Centro de Artes de Rua de Palmela, acaba
de ganhar o Prémio de Melhor Interpretação do Festival TAC, de
Valladolid, Espanha. ‘Trio’, que tem interpretações de Nicolas Arnauld,
Flávio Santos e Sophie Leso, tem direcção artística desta última.
Nascida em 1982 em Verviers, na Bélgica, e formada em teatro, acrobacia,
técnicas de circo e dança, Sophie Leso tem trabalhado em Portugal nos
últimos anos - nomeadamente com os criadores Vera Mantero, Margarida
Bettencourt ou João Fiadeiro.
Há algumas semanas deixei críticas à lacuna das Artes de Rua na programação da Guimarães 2012. É verdade que desde o início se projectaram 5 capítulos encomendados ao CCTAR, que estabeleceu uma parceria com os catalães La Fura dels Baus. Certo é, também, que dessa parceria não veio nada para lá do "mais do mesmo"... apesar de espectáculos ditos "originais", na prática temos projectos "site-specific" utilizando as ferramentas base da companhia.
Há que dar valor à parceria com o FITEI, que afinal até envolveu, noutros moldes, o Imaginarius... mas pouco mais. Perdão, agora confirma-se o espectáculo isolado dos franceses Transe Express. Um projecto "multidisciplinar", assim a CEC2012 o apresenta, e alvo de imensa publicidade, como se de algo fenomenal se tratasse.
Na verdade falamos de um belíssimo espectáculo, um fabuloso projecto: o segundo da triologia das máquinas voadoras de Gilles Rohde. Problema, uma vez mais temos o "mais do mesmo". Este projecto foi apresentado em Portugal, HÁ 11 ANOS, no primeiro Imaginarius, curiosamente com alguma ligação à equipa actual da CEC, a mesma ligação que também trouxe ao Imaginarius a totalidade da triologia acima referida e o primeiro projecto, também com a mesma ligação, ao extinto TRIP, que afinal não passou da edição zero.
Outra curiosidade: a mesma companhia apresenta um novo projecto, que NUNCA ESTEVE EM PORTUGAL, e, esse sim, é absolutamente inovador, sem que esse tenha sido o seleccionado. Porque continuamos a cair no mesmo saco? Porque continuamos a afundar-nos no "mais do mesmo"?
Ainda há uma semana o CCTAR apresentou em Lisboa um "inovador" projecto dos alemães Titanick... pois, há que recordar que a dita "inovação" fora apresentada no Imaginarius HÁ 10 ANOS.
Um país absolutamente curioso... de qualquer forma, para os interessados (sim, porque ainda não é desta que me deslocarei à capital do mais do mesmo) fica a nota. O espectáculo decorre este Sábado (16 Junho), no Largo do Toural.
O Centro de Criação para o Teatro e Artes de
Rua e Theater Titanick estão à procura de pessoas interessadas em
participar no espectáculo "Firebirds" em Lisboa, no próximo dia 31 de
Maio às 22h.
"Firebirds" é um desfile sobre o sonho de voar. É
uma competição entre seis pilotos loucos mas corajosos e as suas
máquinas voadoras: Mary Poppins numa roda voando,
um comandante aéreo russo no seu avião de seis asas, um multimilionário
com excesso de peso no seu banco ejector, um casal de Inglês na sua
poltrona voadora e um homem com uma hélice nas costas.
Esta
competição só poderá ter lugar com a ajuda do pessoal de terra que
auxiliam os pilotos. Estes serão essenciais para o espectáculo, serão
como que os assistente de voo neste espectáculo, orientando os pilotos
para a rampa de partida, acompanhando o desfile inteiro. Os assistentes
de voo dançarão ao ritmo da banda musical francesa, Tetaclak. carregando
luzes e tochas de fogo, num evento de enorme espectacularidade.
Se estás interessado em tornares-te num assistente de voo deste
espectáculo, podes-te inscrever no workshop que será dirigido por
actores da companhia Theatre Titanick. Exercícios corporais, de presença
e interpretação servirão de base para várias coreografias. Também
terás a oportunidade de trabalhar com pirotecnia.
Por favor,
lembra-te de trazer roupas confortáveis. Os ensaios são muito
movimentados, portanto roupas apertadas não serão adequadas. Lembra-te
de trazer meias grossas ou sapatos desportivos.
O workshop decorrerá nas seguintes datas (em locar a designar): 2ª Feira 28 Maio _ 18h - 21h 3ª Feira 29 Maio _ 18h - 21h 4ª Feira 30 Maio _ Ensaio Geral (horário a definir) 5ª Feira 31 Maio _ Espectáculo (horário de inicio de trabalhos a definir)
inscrições até 26 de Maio através: alaide.costa.cctar@gmail.com
Ontem decidi que estava pouco frio e que queria mais. Achei que
o tempo estava demasiado cinzento e queria mudar as coisas. Pois, rumei ao
Auditório dos Oceanos. Lá encontrei o Slava, o seu filho e uma data de
companheiros… com mais de dez minutos de atraso (diz que vem sendo hábito) teve
início algo estranho: um tal de Slava’s SnowShow. E que show!
Num tom triste e melancólico este estranho conjunto de
personagens consegue transmitir, durante pouco mais de uma hora, uma alegria
contagiante, através de um conjunto de situações de uma simplicidade inimaginável.
Um cenário linear e portentoso, com características únicas e
conceitos bem específicos, permite a concepção de efeitos cénicos e visuais de “cortar
a respiração”, que aliados a uma brutal selecção musical, permitem a concepção
de um espectáculo BRUTAL, que cresce até um final apoteótico: ai, que ainda
agora me sinto invadido pela “neve”.
Ao longo do espectáculo, fui brindado uma invasão de
palhaços: diga-se que um deles me caiu literalmente em cima. Opps, e trazia um chapéu
de chuva… e chuva também! Voaram bolas de sabão… planou muita magia… derraparam
muitos sorrisos… até que uma teia caiu sobre as nossas cabeças: há 6 anos que
não tinha a oportunidade de desfazer uma teia… e lá viriam as saudades do
encerramento simples, mas marcante, do Imaginarius 2006. Adiante, recuperado da
teia, ou ainda não, e eis que começa a “nevar”… e não parou até ao final. E por
falar em final, vamos brincar? Meia dúzia de coloridas bolas gigantes e umas
quantas mais pequenas fizeram as delícias do público que tardou em sair da
sala, enquanto o Slava se deixava fotografar com quem lhe quisesse fazer
companhia.
A magia das magias… o palhaço dos palhaços… um espectáculo
absolutamente recomendável!
A companhia de dança contemporânea espanhola Sol Picó regressa a Portugal, desta feita no âmbito do FITEI. Com eles chega o novo projecto "Petra, la mujer araña y el putón de la abeja Maya". O espectáculo terá lugar no TeCA, dia 3 de Junho pelas 21h30.
Há 10 anos o espectáculo Firebirds dos alemães Titanick encerrou a edição 2002 do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira. Em 2012, a companhia anuncia o regresso do projecto a terras lusas. A actuação em Lisboa anuncia-se para 31 de Maio próximo.
Quem não se lembra da famosa "guerra" da máquinas voadoras junto à margem do Rio Cáster e com o maior aguaceiro da história do festival? Agora personagens bem conhecidas de todos nós rumam à capital.
Diz que podemos estar tranquilos e não será preciso aguardar muito pelas tão ansiadas novidades... e mais não digo. Ou melhor digo apenas que depois de Madrid (26 a 29 Dezembro 2012) haverá mais por aí...
Ontem foi dia de um primeiro contacto. Estive, pela primeira
vez, frente a frente com CIRQUE MECHANICS. Um projecto que se revela enérgico,
irreverente, interactivo, simples e linear, mas de uma genialidade absoluta.
A abordagem ao novo circo faz-se através de elementos mecânicos
e como cenário temos uma fábrica, na ânsia de explorar as emoções depressivas
do local, dando-lhes uma conotação mais positiva. Tudo começa, assim mesmo,
depressivo, frio e desumano… mas, ao longo do enredo, a componente teatral da
companhia mostra-se de forma imponente, transformando uma simples fábrica numa
máquina produtora de sorrisos.
Opps, invasão de pássaros… invasão de vida. Algo muda neste
mundo tão especial. Depois do intervalo há nova gerência, números mais
acrobáticos, uma banda sonora vibrante e números sombra fabulosos. Assim nasce
a BIRDHOUSE FACTORY.
A genialidade mostra-se ainda mais e CIRQUE MECHANICS poderão
resumir-se a uma palavra: fantabulásticos. Fazendo jus ao nome da produtora
responsável pela sua presença em Portugal, só haverá uma palavra a dizer: UAU!!!
TOTEM é uma das mais recentes produções dos mestres canadianos do Cirque du Soleil. Depois da sua estreia em 2010, tem-se limitado aos EUA e Canadá, com um duplo salto a Londres. Neste prolongamento da segunda estadia decidi saltar também à Capital Europeia das Artes Performativas.
O ambiente no Royal Albert Hall parecia de tudo menos de circo. A mística apenas se fazia sentir na mini loja que se apresentava em cada uma das quatro áreas de acesso ao recinto. Confesso, não gostei do ambiente. Já na sala, a dimensão do cenário dilui-se na imponência da sala… e nada mais se consegue relatar do que a portentosa arquitectura do espaço. Senti-me num coliseu a aguardar por uma peça de teatro… e não numa tenda ou numa arena na ânsia de mais um projecto Cirque.
Quanto ao espectáculo em si, resumiria tudo em poucas palavras: do homem das cavernas à Era espacial, Cirque du Soleil conta, à sua maneira, a história da humanidade com uma simplicidade impressionante. Verdadeira simplicidade, envolta numa enormíssima complexidade de números de circo inovadores e alternativos. A cenografia e os efeitos especiais não serão comparáveis aos projectos que pude ver com os meus olhos recentemente, não deixando de ser completamente alinhados com a dinâmica e irreverência tão características.
Bem sei que os britânicos são MUITO calmos, mas nunca imaginei, no meio de 3500 pessoas chegar ao cúmulo de estar perante o único par de mãos a fazer barulho (as minhas). Vale que a fenomenal acústica da sala ajudou a projectar o som e, como eles aprendem depressa, no final o impossível aconteceu e parecia uma festa… britânicos extrovertidos… uau!
Tendo por base uma ampulheta que despeja areia sobre o homem, AREIA, uma criação work in progress do Circolando, será mesmo isso: areia... como o tempo que nos consome e asfixia.
Esta tarde compareci no TeCA para a última apresentação desta série de espectáculos, em co-produção com o TNSJ e o CCB. Será um monólogo sem palavras, um teatro de objectos extremamente “duro” e visual… com efeitos tradicionais da “escola” Circolando e a habitual magia desta companhia.
Verdade, não estamos na rua… mas nada impede que o seja. Sendo que AREIA será bem capaz de responder a abordagens mais urbanas, ao ar livre… desde que a componente multimédia seja revista.
Em suma, uma viagem, porque não uma odisseia, entre o palpável e o impossível, entre o material e o supérfluo, entre a vida e a morte… e, afinal de contas, será apenas um sonho?
Sábado terá início a Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura. No âmbito do programa oficial o Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua estabeleceu uma parceria com vista ao desenvolvimento de um projecto em 5 capítulos, a concretizar ao longo do ano, em colaboração com a companhia catalã La Fura dels Baus e o envolvimento da comunidade local.
Dia 21 de Janeiro marca a abertura do projecto e a concretização do primeiro capítulo: "Tempo de Encontros", um projecto multimédia que se concebe num macro-espectáculo com início pelas 22h, no Largo do Toural.
Sinopse:
“Berço da nação” é o ponto de partida para uma reflexão no sentido indutivo sobre a identidade, sobre a memória e sobre o futuro. Uma reflexão que parte da cidade, da sua História e das sua histórias, dos seus habitantes e que se abre numa perspectiva internacional e global retornando à cidade enriquecida desta nova experiência.
Um projecto multidisciplinar para o espaço público, coordenado pelo Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua (CCTAR) e pela companhia catalã La Fura dels Baús, no qual se fará recurso a várias disciplinas das artes de rua.
Ao longo do ano serão efectuadas colaborações com outras companhias e artistas nacionais e internacionais.
O projecto será sobretudo pensado como uma oportunidade de formação para os artistas da região e de sinergias com a comunidade local.
A herança de uma grande história e contudo a necessidade de mudança sem esquecer o passado: é este o destino da cidade e do próprio continente europeu.
O “status quo” e o ”mutatis mutandis”, o “e tudo se transforma” que todavia deve saber resistir à tremenda força de gravidade de uma fortíssima identidade. Não se trata de um juízo de valores. Ambas as dimensões, a do passado e a do futuro, são essenciais para uma melhor realização individual e colectiva, trata-se fundamentalmente de não excluir nenhuma.
O Cavalo representa aqui os valores e a força do passado e do presente, remete-nos para a história da construção do País, por vezes é a metonímia do próprio D.Afonso Henriques e de todos os reis do mundo passado e presente. O Cavalo é a força, o vigor, a vitalidade, a fidelidade absoluta. Às vezes é um novo cavalo de Tróia com o qual se pretende atingir novas conquistas do conhecimento.
Co-protagonista desta historia é uma personagem antropomórfica, metáfora precisamente da constante necessidade de transformação da realidade no seu desenvolvimento histórico.
De acordo com a companhia catalã, os próximos passos dar-se-ão nas seguintes datas:
24 de Março 2012
"Tempo para Criar"
Largo 25 de Abril - Largo da Mumadona
24 de Junho 2012
"Tempo para Sentir"
Largo da Mumadona - Colina Sagrada
22 de Setembro 2012
"Tempo para Renascer"
Campo de S. Mamede
21 de Dezembro 2012
"Clausura" - Não-Encerramento da Capital da Cultura
Há muito que ansiava pela oportunidade. Foram meses a
planear a data… e no passado Sábado lá rumei à Madrid Arena, no complexo
madrileno da Casa de Campo, para assistir ao vivo ao novo projecto de Cirque du
Soleil: ZARKANA. E que maravilha me apareceu à frente.
Saí de casa com as expectativas no limite, elevadíssimas e
dificilmente superáveis, mas a perfeição cénica, técnica e visual deste
projecto fizeram-me literalmente voar por um imaginário distante e complexo.
ZARKANA apresenta-se como um projecto fortemente acrobático
e visual, mas consegue ser bem mais do que isso. Tirando partido da experiência
dos últimos anos em Casinos de Las Vegas, Macau e Hong Kong, a companhia
produziu o seu primeiro musical para a Brodway. Sim, ZARKANA foi criado,
originalmente, para ser apresentado em Nova Iorque, de acordo com um conjunto
de requisitos associados ao teatro musical. Desde logo, salta à vista a
ausência da pista de circo e a imponência de um cenário, que mais não faz do
que recriar um fabuloso e antigo teatro.
A fenomenal banda sonora original será, sem dúvida, um dos
destaques do projecto. Originalmente interpretado por Garou, Zark é um mágico
que tenta reconquistar os seus poderes e reencontrar a sua amada, num divertido
e bizarro percurso pelo magnífico teatro do imaginário ZARKANA. Outros projectos
impedem Garou de fazer a pequena tour, que apenas pára em Madrid e Moscovo, o
que levam a uma certa perda da mística, mas distanciando-nos desse facto, ou
mesmo abstendo-nos dele a magia está lá e a perfeição técnica e artística do
seu substituto é evidente. Por vezes, a informação em excesso não é vantajosa,
este é um dos exemplos disso.
No que ao espectáculo diz respeito, o provérbio português
primeiro estranha-se e depois entranha-se resume tudo. Ao início não me pareceu
estar no mundo Cirque, mas em apenas dois ou três minutos tudo se inverteu,
percebi estar num novo mundo, uma nova etapa… aquilo a que eu mesmo apelidara,
antecipadamente, de novo conceito.
A tradição ainda é o que era e tudo continua a ter início
com a invasão dos palhaços. Será? Perto disso… desta feita, entram os palhaços,
os músicos e uns quantos personagens deste bizarro mundo, que conseguem um
efeito cómico com os seus actos, mas serão tudo menos palhaços.
Dois órgãos de tubo dão o mote para a abertura oficial… e lá
se abre o pano. Mostra-se o teatro e a parafernália. De imediato a cena se
completa com cerca de 4 dezenas de personagens, num intenso e complexo quadro
de abertura, onde até as cadeiras ganham vida. Opps, afinal é o Zark que começa
a ter sucesso com os seus poderes.
Um espectáculo que apesar de ser um musical e decorrer em
ambiente teatral aposta forte nos números acrobáticos, sendo essa a grande
ligação aos clássicos da companhia. Um inovador número de malabarismo com bolas
de ténis marca os primeiros momentos, mas um conjunto de outros projectos dá
vida intensa ao espectáculo.
No final da primeira metade um palhaço conquista uma viagem
à Lua… e eis que de repente voa sobre as cabeças do público, em slow motion e
com muitos sorrisos e emoções.
Nesta altura já poderia fazer uma pré-análise: um programa
idêntico em número de quadros, mas com rapidíssimas transições de cena,
facilitadas pela existência de uma boca de cena e do tradicional pano do
teatro. Isto traduz-se, numa primeira abordagem, numa menor duração efectiva do
espectáculo. Em resumo, as habituais duas horas acrescidas de intervalo, são
agora convertidas em cerca de duas horas (um pouco menos) já com os vinte
minutos de pausa contabilizados. Vantagens: não se quebra o ritmo, aumenta a dinâmica.
Desvantagens: parece menos um circo e revela-se o conceito mais teatral dos
criadores.
Com isto e numa primeira abordagem, falaria em menos mística,
mas, por outro lado, pode observar-se a mesma paixão e a mesma entrega de
sempre. O mundo idílico e perfeito continua o mesmo, com outras fronteiras e
menos barreiras. Os conceitos são alternativos, o produto final será bem
diferente, mas é Cirque com toda a certeza, com toda a paixão, com toda a
perfeição!
Não poderia escrever sobre ZARKANA e ignorar a componente multimédia,
sem dúvida, a grande mais-valia e inovação deste projecto. Num contexto onde
tudo é simbólico, o cenário fala por si… as mutações são constantes e a cada
quadro tudo muda, desde a forma, às imagens, passando pela cor e dimensão. Uma magnífica
amostra da capacidade criativa da companhia com uma engenharia de cena brutal,
efeitos mecânicos de fazer inveja e apresentações multimédia de deixar qualquer
um de boca aberta.
E terminou o intervalo…
A segunda etapa começava com algo diferente, uma vez mais
estranho. Desenho ao vivo, através da utilização de um pó azul desenvolvendo as
imagens directamente com os dedos. E assim se fazia a ligação. Lembram-se que estávamos
na Lua, na viagem do palhaço? Pois, agora a viagem termina num ambiente menos
espacial, numa verdadeira teia, onde não falta a aranha.
A derradeira etapa desenvolve-se sob o signo da acrobacia e
da força de braços, onde nem um conceito muito alternativo de movimento
corporal faltou. Este exemplo fenomenal de teatro musical que conta a história
através de números de circo terminaria de forma apoteótica, com muita cor,
alegria e emoção.
Nota ultra positiva para este projecto, que será, sem
dúvida, o MELHOR ESPECTÁCULO A QUE JÁ TIVE A OPORTUNIDADE DE ASSISTIR, seja de
Cirque du Soleil ou de qualquer outra companhia. A palavra de ordem continua a
ser a mesma: a cada projecto fico mais fã
desta companhia.
Apenas uma nota negativa para o “problema” da presença de
público em longas estadias de super produções dimensionadas a mega espaços. No Sábado
que antecedeu o Natal, a matiné não conseguiu mais do que 70% de ocupação. Até a
fila exclusiva para membros Cirque Club, onde tive a oportunidade de assistir
ao espectáculo, deu sinais de fraqueza: em 15 lugares disponíveis, apenas 5
estiveram ocupados. O novo contexto aplicado a “Alegria” e “Saltimbanco” será
certamente a alternativa de futuro, com curtas paragens em muitas cidades,
excepto no anormal mundo português (onde Lisboa recebe um projecto, com estadia
máxima de 5 dias nas principais capitais mundiais, durante 3 semanas, sem que a
tour siga para outros locais do país), permitindo um considerável incremento do
público abrangido e das audiências, comprovado pelos níveis de lotação esgotada
próximos dos 100% em ambos os projectos.
Em 2011 digo adeus ao Cirque du Soleil, mas para 2012 prometo
nova ou novas visitas a este mundo fantástico. Garantida, para já, está a
viagem a Londres, em Fevereiro, para conhecer “Totem”, que dentro de poucos
dias regressa ao Royal Albert Hall.
Uma simples palavra, um sentimento, um estado de espírito…
acima de tudo uma EMOÇÃO. Cirque du Soleil continua a surpreender.
Ontem, desloquei-me a Santiago de Compostela para assistir à
nova versão do clássico “Alegria”, desta companhia de circo canadiana. Agora um
projecto de arena, com curtas paragens (média de 5 dias) nas principais cidades
do globo.
Portentoso, poderoso, esplêndido, sublime, imponente… e
alegre. Apenas alguns dos adjectivos que cabem neste conceito, idoso mas de uma
actualidade extrema.
Num longínquo território, onde reina a anarquia, um palhaço
corre em busca da sua amada. História simples, enredo cru e descomplexado… um
mundo de simples efeitos especiais, com brutais resultados visuais. Cirque du
Soleil é isto mesmo: magia pura.
Esta foi a minha quarta experiência Cirque e, como sempre,
primou pela diferença. Se “Varekai” fora circense a acrobático, “Saltimbanco”
puxara já de valores mais sentimentais e coloridos. Por outro lado, “Corteo”
mostrou-me um outro ângulo de visão dos criadores Cirque, ao revelar-se mais sentimental e teatral.
Agora, “Alegria” atreve-se a desmontar o conceito e refazer o que poderia ser o
“mais do mesmo” num jogo idílico de estranho e míticos personagens que se
cruzam num imponente cenário, onde o inesperado acontece a cada instante.
Este regresso a Santiago revelou um público mais enérgico e
envolvido, bem diferente do meu primeiro contacto, aquando da estreia de Cirque
du Soleil na Galiza. Continuei a dar o mote para a generalidade dos aplausos,
mas, desta vez, o público aderiu em massa, com brutais e apoteóticas ovações
aos mestres das artes de tenda, agora em cenário de pavilhão. A inspiração
cinematográfica fica patente em cada quadro. Do “Matrix” aos clássicos a preto
e branco, muitas são as paragens e apeadeiros fumegantes de influências para
este mundo do era uma vez.
Não vou desvendar as surpresas e mistérios de um projecto de
uma perfeição invejável, que dentro de poucos dias estacionará em Lisboa. Vale
a pena deixar o convite a uma visita a este mundo mágico e idílico.
Quanto a mim, não precisarei aguardar muito para me voltar a
reencontrar com estes magos da fantasia. No próximo Sábado, rumarei a Madrid
para conhecer uma das mais recentes produções, desta vez sem pista e onde o
palco mais parece virtual. A Madrid Arena está transformada, durante dois
meses, no mítico teatro de Zark, um mágico que tenta recuperar os seus poderes.
ZARKANA é o projecto que se segue!
Num ambiente frio e chuvoso os La Fura dels Baus invadiram o rio Águeda para a segunda e última exibição do espectáculo "Aduja", concebido especialmente para o AgitÁgueda 2011. À segunda noite uma pequena multidão juntou-se nas margens do rio. Certamente menos de 10 mil pessoas, muito abaixo do expectável para uma companhia habituada a arrastar multidões, mas certamente as condições climatéricas não terão ajudado.
A companhia catalã mostrou o que melhor sabe fazer... e por entre um vasto conjunto de elementos cénicos bem conhecidos, deu vida à história e tradições das gentes de Águeda. Pena a chuva e a impossibilidade de acompanhamento orquestral ao vivo, com excepção da entrada do espectáculo com "O Fortuna", da ópera "Carmina Burana". Como habitual, nos macro-espectáculos, tudo terminou no céu, com a célebre estrutura da rede humana concebida para o projecto Naumon e que já se mostrou por cá, em 2005, no Imaginarius através do projecto "Xarxa 25", comemorativo dos 25 anos da companhia. No final e depois de uma pequena amostra de efeitos pirotécnicos, Jurgen Muller, director artístico da companhia, agradeceu o apoio do público e das gentes de Águeda e confirmou o regresso a Águeda em 2012.