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domingo, 23 de dezembro de 2012

La Fura dels Baus – Encerramento Guimarães 2012



Como havia prometido, não pedira faltar, pelo menos ao último capítulo da saga de repetições originais, pontuadas de figuração comunitária, com que La Fura dels Baus e o CCTAR nos brindaram em Guimarães. Não poderia continuar a escrever sem ver ao vivo, o que pelas imagens já se me era dado a adivinhar… e arrisco falar em flop do Toural.
Um mega aparato para meia hora de “mais do mesmo” com pouco ritmo e nenhuma intensidade dramática. La Fura usaram os mesmos bonecos de sempre, um deles que já viera do Naumon [2004], mas desta vez quase estáticos, senão mortos… o coração de tochas ninguém o viu, perdão, apenas a grua da televisão o conseguiu ver.
A linguagem furera esteve por lá… tímida e complexada, no meio de um Largo fluído, ao contrário do que seria de esperar.
Mostram-nos um videomapping… videomapping!? Um simples vídeo com um ligeiro mapeamento, diria eu. Mas deixo essa parte para os especialistas… há coisas que se pagam bem para valerem a pena!
Uso abusivo do céu, com elementos já de nós conhecidos… um poema que já não marca: há 12 anos já o ouvi associado à inauguração da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, tendo sido perpetuado até hoje nesse alinhamento.
Não irei escrever muito mais… fica apenas o registo de uma “xarxa” (a rede humana) mais curta e estática do que o habitual. Mas afinal de contas já será a sua QUARTA vez em Portugal: 2005 – Imaginarius – Santa Maria da Feira; 2008 – NAUMON – Lagos; 2011 – Agitágueda – Águeda; 2012 – Guimarães. Opps…
No final reinou o silêncio na praça… aplausos artificias e muitas dúvidas, numa altura em que eu tinha certeza: acabou! Foi preciso um speaker cinco minutos depois do espectáculo informar que tudo havia acabado para que a saga de assobios tivesse início… e assim terminou a Capital Europeia da Cultura.
Oxalá Marselha dê mais vida às artes de rua… tal como promete!

NOTA: O mesmo não poderei dizer restante programação, enquadramento e espírito vivido e sentido na cidade. Mas no que às Artes de Rua diz respeito, apesar do impacto e do aparato, estivemos francamente MAL representados.

domingo, 1 de julho de 2012

Espectáculo português ganha prémio internacional

O espectáculo ‘Trio’, do FIAR – Centro de Artes de Rua de Palmela, acaba de ganhar o Prémio de Melhor Interpretação do Festival TAC, de Valladolid, Espanha. ‘Trio’, que tem interpretações de Nicolas Arnauld, Flávio Santos e Sophie Leso, tem direcção artística desta última.

Nascida em 1982 em Verviers, na Bélgica, e formada em teatro, acrobacia, técnicas de circo e dança, Sophie Leso tem trabalhado em Portugal nos últimos anos - nomeadamente com os criadores Vera Mantero, Margarida Bettencourt ou João Fiadeiro.

@ Correio da Manhã

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Transe Express regressa a Portugal... com espectáculo repetido!




Há algumas semanas deixei críticas à lacuna das Artes de Rua na programação da Guimarães 2012. É verdade que desde o início se projectaram 5 capítulos encomendados ao CCTAR, que estabeleceu uma parceria com os catalães La Fura dels Baus. Certo é, também, que dessa parceria não veio nada para lá do "mais do mesmo"... apesar de espectáculos ditos "originais", na prática temos projectos "site-specific" utilizando as ferramentas base da companhia.
Há que dar valor à parceria com o FITEI, que afinal até envolveu, noutros moldes, o Imaginarius... mas pouco mais. Perdão, agora confirma-se o espectáculo isolado dos franceses Transe Express. Um projecto "multidisciplinar", assim a CEC2012 o apresenta, e alvo de imensa publicidade, como se de algo fenomenal se tratasse.
Na verdade falamos de um belíssimo espectáculo, um fabuloso projecto: o segundo da triologia das máquinas voadoras de Gilles Rohde. Problema, uma vez mais temos o "mais do mesmo". Este projecto foi apresentado em Portugal, HÁ 11 ANOS, no primeiro Imaginarius, curiosamente com alguma ligação à equipa actual da CEC, a mesma ligação que também trouxe ao Imaginarius a totalidade da triologia acima referida e o primeiro projecto, também com a mesma ligação, ao extinto TRIP, que afinal não passou da edição zero.
Outra curiosidade: a mesma companhia apresenta um novo projecto, que NUNCA ESTEVE EM PORTUGAL, e, esse sim, é absolutamente inovador, sem que esse tenha sido o seleccionado. Porque continuamos a cair no mesmo saco? Porque continuamos a afundar-nos no "mais do mesmo"?
Ainda há uma semana o CCTAR apresentou em Lisboa um "inovador" projecto dos alemães Titanick... pois, há que recordar que a dita "inovação" fora apresentada no Imaginarius HÁ 10 ANOS.
Um país absolutamente curioso... de qualquer forma, para os interessados (sim, porque ainda não é desta que me deslocarei à capital do mais do mesmo) fica a nota. O espectáculo decorre este Sábado (16 Junho), no Largo do Toural.

domingo, 29 de abril de 2012

Procuram-se Voluntários para "Firebirds" em Lisboa [Abertura das Festas de Lisboa 2012]

O Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua e Theater Titanick estão à procura de pessoas interessadas em participar no espectáculo "Firebirds" em Lisboa, no próximo dia 31 de Maio às 22h.

"Firebirds" é um desfile sobre o sonho de voar. É uma competição entre seis pilotos loucos mas corajosos e as suas máquinas voadoras: Mary Poppins numa roda voando, um comandante aéreo russo no seu avião de seis asas, um multimilionário com excesso de peso no seu banco ejector, um casal de Inglês na sua poltrona voadora e um homem com uma hélice nas costas.

Esta competição só poderá ter lugar com a ajuda do pessoal de terra que auxiliam os pilotos. Estes serão essenciais para o espectáculo, serão como que os assistente de voo neste espectáculo, orientando os pilotos para a rampa de partida, acompanhando o desfile inteiro. Os assistentes de voo dançarão ao ritmo da banda musical francesa, Tetaclak. carregando luzes e tochas de fogo, num evento de enorme espectacularidade.

Se estás interessado em tornares-te num assistente de voo deste espectáculo, podes-te inscrever no workshop que será dirigido por actores da companhia Theatre Titanick. Exercícios corporais, de presença e interpretação servirão de base para várias coreografias. Também terás a oportunidade de trabalhar com pirotecnia.

Por favor, lembra-te de trazer roupas confortáveis. Os ensaios são muito movimentados, portanto roupas apertadas não serão adequadas. Lembra-te de trazer meias grossas ou sapatos desportivos.

O workshop decorrerá nas seguintes datas (em locar a designar):
2ª Feira 28 Maio _ 18h - 21h
3ª Feira 29 Maio _ 18h - 21h
4ª Feira 30 Maio _ Ensaio Geral (horário a definir)
5ª Feira 31 Maio _ Espectáculo (horário de inicio de trabalhos a definir)

inscrições até 26 de Maio através: alaide.costa.cctar@gmail.com

sábado, 21 de abril de 2012

Slava's SnowShow



Ontem decidi que estava pouco frio e que queria mais. Achei que o tempo estava demasiado cinzento e queria mudar as coisas. Pois, rumei ao Auditório dos Oceanos. Lá encontrei o Slava, o seu filho e uma data de companheiros… com mais de dez minutos de atraso (diz que vem sendo hábito) teve início algo estranho: um tal de Slava’s SnowShow. E que show!
Num tom triste e melancólico este estranho conjunto de personagens consegue transmitir, durante pouco mais de uma hora, uma alegria contagiante, através de um conjunto de situações de uma simplicidade inimaginável.
Um cenário linear e portentoso, com características únicas e conceitos bem específicos, permite a concepção de efeitos cénicos e visuais de “cortar a respiração”, que aliados a uma brutal selecção musical, permitem a concepção de um espectáculo BRUTAL, que cresce até um final apoteótico: ai, que ainda agora me sinto invadido pela “neve”.
Ao longo do espectáculo, fui brindado uma invasão de palhaços: diga-se que um deles me caiu literalmente em cima. Opps, e trazia um chapéu de chuva… e chuva também! Voaram bolas de sabão… planou muita magia… derraparam muitos sorrisos… até que uma teia caiu sobre as nossas cabeças: há 6 anos que não tinha a oportunidade de desfazer uma teia… e lá viriam as saudades do encerramento simples, mas marcante, do Imaginarius 2006. Adiante, recuperado da teia, ou ainda não, e eis que começa a “nevar”… e não parou até ao final. E por falar em final, vamos brincar? Meia dúzia de coloridas bolas gigantes e umas quantas mais pequenas fizeram as delícias do público que tardou em sair da sala, enquanto o Slava se deixava fotografar com quem lhe quisesse fazer companhia.
A magia das magias… o palhaço dos palhaços… um espectáculo absolutamente recomendável!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sol Picó no FITEI 2012

A companhia de dança contemporânea espanhola Sol Picó regressa a Portugal, desta feita no âmbito do FITEI. Com eles chega o novo projecto "Petra, la mujer araña y el putón de la abeja Maya". O espectáculo terá lugar no TeCA, dia 3 de Junho pelas 21h30.
Bilhetes à venda nos locais habituais.



quinta-feira, 15 de março de 2012

Titanick voltam a trazer Firebirds a Portugal

Há 10 anos o espectáculo Firebirds dos alemães Titanick encerrou a edição 2002 do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira. Em 2012, a companhia anuncia o regresso do projecto a terras lusas. A actuação em Lisboa anuncia-se para 31 de Maio próximo.

Quem não se lembra da famosa "guerra" da máquinas voadoras junto à margem do Rio Cáster e com o maior aguaceiro da história do festival? Agora personagens bem conhecidas de todos nós rumam à capital.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Diz que sim... IMMORTAL anda por aí!

Diz que podemos estar tranquilos e não será preciso aguardar muito pelas tão ansiadas novidades... e mais não digo. Ou melhor digo apenas que depois de Madrid (26 a 29 Dezembro 2012) haverá mais por aí...


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Cirque Mechanics @ Auditório dos Oceanos


Ontem foi dia de um primeiro contacto. Estive, pela primeira vez, frente a frente com CIRQUE MECHANICS. Um projecto que se revela enérgico, irreverente, interactivo, simples e linear, mas de uma genialidade absoluta.
A abordagem ao novo circo faz-se através de elementos mecânicos e como cenário temos uma fábrica, na ânsia de explorar as emoções depressivas do local, dando-lhes uma conotação mais positiva. Tudo começa, assim mesmo, depressivo, frio e desumano… mas, ao longo do enredo, a componente teatral da companhia mostra-se de forma imponente, transformando uma simples fábrica numa máquina produtora de sorrisos.
Opps, invasão de pássaros… invasão de vida. Algo muda neste mundo tão especial. Depois do intervalo há nova gerência, números mais acrobáticos, uma banda sonora vibrante e números sombra fabulosos. Assim nasce a BIRDHOUSE FACTORY.
A genialidade mostra-se ainda mais e CIRQUE MECHANICS poderão resumir-se a uma palavra: fantabulásticos. Fazendo jus ao nome da produtora responsável pela sua presença em Portugal, só haverá uma palavra a dizer: UAU!!!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

TOTEM by Cirque du Soleil [Royal Albert Hall]




TOTEM é uma das mais recentes produções dos mestres canadianos do Cirque du Soleil. Depois da sua estreia em 2010, tem-se limitado aos EUA e Canadá, com um duplo salto a Londres. Neste prolongamento da segunda estadia decidi saltar também à Capital Europeia das Artes Performativas. 

O ambiente no Royal Albert Hall parecia de tudo menos de circo. A mística apenas se fazia sentir na mini loja que se apresentava em cada uma das quatro áreas de acesso ao recinto. Confesso, não gostei do ambiente. Já na sala, a dimensão do cenário dilui-se na imponência da sala… e nada mais se consegue relatar do que a portentosa arquitectura do espaço. Senti-me num coliseu a aguardar por uma peça de teatro… e não numa tenda ou numa arena na ânsia de mais um projecto Cirque. 

Quanto ao espectáculo em si, resumiria tudo em poucas palavras: do homem das cavernas à Era espacial, Cirque du Soleil conta, à sua maneira, a história da humanidade com uma simplicidade impressionante. Verdadeira simplicidade, envolta numa enormíssima complexidade de números de circo inovadores e alternativos. A cenografia e os efeitos especiais não serão comparáveis aos projectos que pude ver com os meus olhos recentemente, não deixando de ser completamente alinhados com a dinâmica e irreverência tão características. 

Bem sei que os britânicos são MUITO calmos, mas nunca imaginei, no meio de 3500 pessoas chegar ao cúmulo de estar perante o único par de mãos a fazer barulho (as minhas). Vale que a fenomenal acústica da sala ajudou a projectar o som e, como eles aprendem depressa, no final o impossível aconteceu e parecia uma festa… britânicos extrovertidos… uau! 

Em resumo, fica uma palavra fenomenal...

domingo, 29 de janeiro de 2012

AREIA - Circolando

Tendo por base uma ampulheta que despeja areia sobre o homem, AREIA, uma criação work in progress do Circolando, será mesmo isso: areia... como o tempo que nos consome e asfixia.

Esta tarde compareci no TeCA para a última apresentação desta série de espectáculos, em co-produção com o TNSJ e o CCB. Será um monólogo sem palavras, um teatro de objectos extremamente “duro” e visual… com efeitos tradicionais da “escola” Circolando e a habitual magia desta companhia.

Verdade, não estamos na rua… mas nada impede que o seja. Sendo que AREIA será bem capaz de responder a abordagens mais urbanas, ao ar livre… desde que a componente multimédia seja revista.

Em suma, uma viagem, porque não uma odisseia, entre o palpável e o impossível, entre o material e o supérfluo, entre a vida e a morte… e, afinal de contas, será apenas um sonho?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Guimarães 2012: Intervenções no Espaço Público

Sábado terá início a Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura. No âmbito do programa oficial o Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua estabeleceu uma parceria com vista ao desenvolvimento de um projecto em 5 capítulos, a concretizar ao longo do ano, em colaboração com a companhia catalã La Fura dels Baus e o envolvimento da comunidade local.

Dia 21 de Janeiro marca a abertura do projecto e a concretização do primeiro capítulo: "Tempo de Encontros", um projecto multimédia que se concebe num macro-espectáculo com início pelas 22h, no Largo do Toural.


Sinopse:
“Berço da nação” é o ponto de partida para uma reflexão no sentido indutivo sobre a identidade, sobre a memória e sobre o futuro. Uma reflexão que parte da cidade, da sua História e das sua histórias, dos seus habitantes e que se abre numa perspectiva internacional e global retornando à cidade enriquecida desta nova experiência.
Um projecto multidisciplinar para o espaço público, coordenado pelo Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua (CCTAR) e pela companhia catalã La Fura dels Baús, no qual se fará recurso a várias disciplinas das artes de rua.
Ao longo do ano serão efectuadas colaborações com outras companhias e artistas nacionais e internacionais.
O projecto será sobretudo pensado como uma oportunidade de formação para os artistas da região e de sinergias com a comunidade local.
A herança de uma grande história e contudo a necessidade de mudança sem esquecer o passado: é este o destino da cidade e do próprio continente europeu.
O “status quo” e o ”mutatis mutandis”, o “e tudo se transforma” que todavia deve saber resistir à tremenda força de gravidade de uma fortíssima identidade. Não se trata de um juízo de valores. Ambas as dimensões, a do passado e a do futuro, são essenciais para uma melhor realização individual e colectiva, trata-se fundamentalmente de não excluir nenhuma.
O Cavalo representa aqui os valores e a força do passado e do presente, remete-nos para a história da construção do País, por vezes é a metonímia do próprio D.Afonso Henriques e de todos os reis do mundo passado e presente. O Cavalo é a força, o vigor, a vitalidade, a fidelidade absoluta. Às vezes é um novo cavalo de Tróia com o qual se pretende atingir novas conquistas do conhecimento.
Co-protagonista desta historia é uma personagem antropomórfica, metáfora precisamente da constante necessidade de transformação da realidade no seu desenvolvimento histórico.

De acordo com a companhia catalã, os próximos passos dar-se-ão nas seguintes datas:

24 de Março 2012
"Tempo para Criar"
Largo 25 de Abril - Largo da Mumadona

24 de Junho 2012
"Tempo para Sentir"
Largo da Mumadona - Colina Sagrada

22 de Setembro 2012
"Tempo para Renascer"
Campo de S. Mamede

21 de Dezembro 2012
"Clausura" - Não-Encerramento da Capital da Cultura


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ZARKANA [Cirque du Soleil]






Há muito que ansiava pela oportunidade. Foram meses a planear a data… e no passado Sábado lá rumei à Madrid Arena, no complexo madrileno da Casa de Campo, para assistir ao vivo ao novo projecto de Cirque du Soleil: ZARKANA. E que maravilha me apareceu à frente.

Saí de casa com as expectativas no limite, elevadíssimas e dificilmente superáveis, mas a perfeição cénica, técnica e visual deste projecto fizeram-me literalmente voar por um imaginário distante e complexo.

ZARKANA apresenta-se como um projecto fortemente acrobático e visual, mas consegue ser bem mais do que isso. Tirando partido da experiência dos últimos anos em Casinos de Las Vegas, Macau e Hong Kong, a companhia produziu o seu primeiro musical para a Brodway. Sim, ZARKANA foi criado, originalmente, para ser apresentado em Nova Iorque, de acordo com um conjunto de requisitos associados ao teatro musical. Desde logo, salta à vista a ausência da pista de circo e a imponência de um cenário, que mais não faz do que recriar um fabuloso e antigo teatro.

A fenomenal banda sonora original será, sem dúvida, um dos destaques do projecto. Originalmente interpretado por Garou, Zark é um mágico que tenta reconquistar os seus poderes e reencontrar a sua amada, num divertido e bizarro percurso pelo magnífico teatro do imaginário ZARKANA. Outros projectos impedem Garou de fazer a pequena tour, que apenas pára em Madrid e Moscovo, o que levam a uma certa perda da mística, mas distanciando-nos desse facto, ou mesmo abstendo-nos dele a magia está lá e a perfeição técnica e artística do seu substituto é evidente. Por vezes, a informação em excesso não é vantajosa, este é um dos exemplos disso.

No que ao espectáculo diz respeito, o provérbio português primeiro estranha-se e depois entranha-se resume tudo. Ao início não me pareceu estar no mundo Cirque, mas em apenas dois ou três minutos tudo se inverteu, percebi estar num novo mundo, uma nova etapa… aquilo a que eu mesmo apelidara, antecipadamente, de novo conceito.

A tradição ainda é o que era e tudo continua a ter início com a invasão dos palhaços. Será? Perto disso… desta feita, entram os palhaços, os músicos e uns quantos personagens deste bizarro mundo, que conseguem um efeito cómico com os seus actos, mas serão tudo menos palhaços.

Dois órgãos de tubo dão o mote para a abertura oficial… e lá se abre o pano. Mostra-se o teatro e a parafernália. De imediato a cena se completa com cerca de 4 dezenas de personagens, num intenso e complexo quadro de abertura, onde até as cadeiras ganham vida. Opps, afinal é o Zark que começa a ter sucesso com os seus poderes.

Um espectáculo que apesar de ser um musical e decorrer em ambiente teatral aposta forte nos números acrobáticos, sendo essa a grande ligação aos clássicos da companhia. Um inovador número de malabarismo com bolas de ténis marca os primeiros momentos, mas um conjunto de outros projectos dá vida intensa ao espectáculo.

No final da primeira metade um palhaço conquista uma viagem à Lua… e eis que de repente voa sobre as cabeças do público, em slow motion e com muitos sorrisos e emoções.

Nesta altura já poderia fazer uma pré-análise: um programa idêntico em número de quadros, mas com rapidíssimas transições de cena, facilitadas pela existência de uma boca de cena e do tradicional pano do teatro. Isto traduz-se, numa primeira abordagem, numa menor duração efectiva do espectáculo. Em resumo, as habituais duas horas acrescidas de intervalo, são agora convertidas em cerca de duas horas (um pouco menos) já com os vinte minutos de pausa contabilizados. Vantagens: não se quebra o ritmo, aumenta a dinâmica. Desvantagens: parece menos um circo e revela-se o conceito mais teatral dos criadores.

Com isto e numa primeira abordagem, falaria em menos mística, mas, por outro lado, pode observar-se a mesma paixão e a mesma entrega de sempre. O mundo idílico e perfeito continua o mesmo, com outras fronteiras e menos barreiras. Os conceitos são alternativos, o produto final será bem diferente, mas é Cirque com toda a certeza, com toda a paixão, com toda a perfeição!

Não poderia escrever sobre ZARKANA e ignorar a componente multimédia, sem dúvida, a grande mais-valia e inovação deste projecto. Num contexto onde tudo é simbólico, o cenário fala por si… as mutações são constantes e a cada quadro tudo muda, desde a forma, às imagens, passando pela cor e dimensão. Uma magnífica amostra da capacidade criativa da companhia com uma engenharia de cena brutal, efeitos mecânicos de fazer inveja e apresentações multimédia de deixar qualquer um de boca aberta.

E terminou o intervalo…

A segunda etapa começava com algo diferente, uma vez mais estranho. Desenho ao vivo, através da utilização de um pó azul desenvolvendo as imagens directamente com os dedos. E assim se fazia a ligação. Lembram-se que estávamos na Lua, na viagem do palhaço? Pois, agora a viagem termina num ambiente menos espacial, numa verdadeira teia, onde não falta a aranha.

A derradeira etapa desenvolve-se sob o signo da acrobacia e da força de braços, onde nem um conceito muito alternativo de movimento corporal faltou. Este exemplo fenomenal de teatro musical que conta a história através de números de circo terminaria de forma apoteótica, com muita cor, alegria e emoção.

Nota ultra positiva para este projecto, que será, sem dúvida, o MELHOR ESPECTÁCULO A QUE JÁ TIVE A OPORTUNIDADE DE ASSISTIR, seja de Cirque du Soleil ou de qualquer outra companhia. A palavra de ordem continua a ser a mesma: a cada projecto fico mais desta companhia.

Apenas uma nota negativa para o “problema” da presença de público em longas estadias de super produções dimensionadas a mega espaços. No Sábado que antecedeu o Natal, a matiné não conseguiu mais do que 70% de ocupação. Até a fila exclusiva para membros Cirque Club, onde tive a oportunidade de assistir ao espectáculo, deu sinais de fraqueza: em 15 lugares disponíveis, apenas 5 estiveram ocupados. O novo contexto aplicado a “Alegria” e “Saltimbanco” será certamente a alternativa de futuro, com curtas paragens em muitas cidades, excepto no anormal mundo português (onde Lisboa recebe um projecto, com estadia máxima de 5 dias nas principais capitais mundiais, durante 3 semanas, sem que a tour siga para outros locais do país), permitindo um considerável incremento do público abrangido e das audiências, comprovado pelos níveis de lotação esgotada próximos dos 100% em ambos os projectos.

Em 2011 digo adeus ao Cirque du Soleil, mas para 2012 prometo nova ou novas visitas a este mundo fantástico. Garantida, para já, está a viagem a Londres, em Fevereiro, para conhecer “Totem”, que dentro de poucos dias regressa ao Royal Albert Hall.

domingo, 11 de dezembro de 2011

ALEGRIA… ALEGRIA… ALEGRIA!

Uma simples palavra, um sentimento, um estado de espírito… acima de tudo uma EMOÇÃO. Cirque du Soleil continua a surpreender.
Ontem, desloquei-me a Santiago de Compostela para assistir à nova versão do clássico “Alegria”, desta companhia de circo canadiana. Agora um projecto de arena, com curtas paragens (média de 5 dias) nas principais cidades do globo.
Portentoso, poderoso, esplêndido, sublime, imponente… e alegre. Apenas alguns dos adjectivos que cabem neste conceito, idoso mas de uma actualidade extrema.




Num longínquo território, onde reina a anarquia, um palhaço corre em busca da sua amada. História simples, enredo cru e descomplexado… um mundo de simples efeitos especiais, com brutais resultados visuais. Cirque du Soleil é isto mesmo: magia pura.

Esta foi a minha quarta experiência Cirque e, como sempre, primou pela diferença. Se “Varekai” fora circense a acrobático, “Saltimbanco” puxara já de valores mais sentimentais e coloridos. Por outro lado, “Corteo” mostrou-me um outro ângulo de visão dos criadores Cirque,  ao revelar-se mais sentimental e teatral. Agora, “Alegria” atreve-se a desmontar o conceito e refazer o que poderia ser o “mais do mesmo” num jogo idílico de estranho e míticos personagens que se cruzam num imponente cenário, onde o inesperado acontece a cada instante.
Este regresso a Santiago revelou um público mais enérgico e envolvido, bem diferente do meu primeiro contacto, aquando da estreia de Cirque du Soleil na Galiza. Continuei a dar o mote para a generalidade dos aplausos, mas, desta vez, o público aderiu em massa, com brutais e apoteóticas ovações aos mestres das artes de tenda, agora em cenário de pavilhão. A inspiração cinematográfica fica patente em cada quadro. Do “Matrix” aos clássicos a preto e branco, muitas são as paragens e apeadeiros fumegantes de influências para este mundo do era uma vez.

Não vou desvendar as surpresas e mistérios de um projecto de uma perfeição invejável, que dentro de poucos dias estacionará em Lisboa. Vale a pena deixar o convite a uma visita a este mundo mágico e idílico.

Quanto a mim, não precisarei aguardar muito para me voltar a reencontrar com estes magos da fantasia. No próximo Sábado, rumarei a Madrid para conhecer uma das mais recentes produções, desta vez sem pista e onde o palco mais parece virtual. A Madrid Arena está transformada, durante dois meses, no mítico teatro de Zark, um mágico que tenta recuperar os seus poderes. ZARKANA é o projecto que se segue!

domingo, 17 de julho de 2011

"Aduja" - La Fura dels Baus [fotos]

"Aduja" - La Fura dels Baus


Num ambiente frio e chuvoso os La Fura dels Baus invadiram o rio Águeda para a segunda e última exibição do espectáculo "Aduja", concebido especialmente para o AgitÁgueda 2011. À segunda noite uma pequena multidão juntou-se nas margens do rio. Certamente menos de 10 mil pessoas, muito abaixo do expectável para uma companhia habituada a arrastar multidões, mas certamente as condições climatéricas não terão ajudado.
A companhia catalã mostrou o que melhor sabe fazer... e por entre um vasto conjunto de elementos cénicos bem conhecidos, deu vida à história e tradições das gentes de Águeda. Pena a chuva e a impossibilidade de acompanhamento orquestral ao vivo, com excepção da entrada do espectáculo com "O Fortuna", da ópera "Carmina Burana". Como habitual, nos macro-espectáculos, tudo terminou no céu, com a célebre estrutura da rede humana concebida para o projecto Naumon e que já se mostrou por cá, em 2005, no Imaginarius através do projecto "Xarxa 25", comemorativo dos 25 anos da companhia. No final e depois de uma pequena amostra de efeitos pirotécnicos, Jurgen Muller, director artístico da companhia, agradeceu o apoio do público e das gentes de Águeda e confirmou o regresso a Águeda em 2012.

[amanhã mais fotos do espectáculo]